sábado, 23 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Testemunho de uma mulher cega guerreira que luta em favor das pessoas com deficiência uma guerreira
Uma guerreira...
Ethel Rosenfeld Assim pode ser definida essa que é uma das mais conhecidas e respeitadas figuras do movimento da pessoa com deficiência em nosso País.
Com 13 anos de idade, ela teve um diagnóstico de tumor cerebral, mas na hora da operação, os médicos perceberam que não era maciço e optaram por fazer uma punção. O procedimento tocou o nervo ótico e a deixou cega. Além de ter ficado com sério comprometimento motor. Os movimentos ela recuperou com o tempo, mas não a visão, o que a fez dedicar toda sua vida à luta em favor das pessoas com deficiência.
"Aos 17 anos quando percebi que apesar de ter ficado cega, eu era uma pessoa privilegiada que continuava tendo tudo que precisava, principalmente o convívio com minha família e amigos, prometi a mim mesma que dedicaria minha vida à causa das pessoas cegas. Especializei-me em educação de pessoas com deficiência visual e Cheguei à universidade, onde cursei Português - Inglês.
Concluído o curso universitário, em 1973 alcancei mais uma vitória: fui a primeira professora cega a ingressar no magistério público do antigo Estado da Guanabara. Trabalhei junto à Secretaria Municipal de Educação, Instituto Helena Antipoff, por 15 anos. Em 1987 pedi transferência para a Secretaria Municipal de Saúde, Instituto Municipal de Medicina Física e Reabilitação Motora Oscar Clark, onde trabalhei 12 anos. Por fim, fui convidada para trabalhar na Fundação Municipal Francisco de Paula, FUNLAR-Rio hoje, Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. Na fundação não mais trabalhei com pessoas com deficiência, mudei meu foco e comecei a trabalhar com todas as pessoas, objetivando um melhor relacionamento entre pessoas com e sem deficiência".
Hoje, aos 66 anos, Ethel está aposentada, mas continua muito ativa. Agora mesmo trabalha na organização do XV Encontro Brasileiro de Usuários de Dosvox (sistema que permite o uso de um microcomputador comum por pessoas cegas, possibilitando o desempenho de uma série de tarefas), que será realizado em 07 e 08 de setembro próximo, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu e mora até hoje. Além disso, desenvolve o projeto de sensibilização "Buscando um Mundo Melhor para Todos", de conscientização da sociedade, em que faz palestras para diferentes públicos.
Considerada uma das principais educadoras na área da deficiência visual, foi a primeira professora cega a ingressar no magistério público do antigo Estado da Guanabara. Trabalhou junto à Secretaria Municipal de Educação, Instituto Helena Antipoff, por 15 anos. Em 1987, foi para a Secretaria Municipal de Saúde, Instituto Municipal de Medicina Física e Reabilitação Motora Oscar Clark, onde ficou por 12 anos. Depois foi convidada para trabalhar na Fundação Municipal Francisco de Paula, FUNLAR-Rio, hoje, Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência.
Ethel sempre esteve presente em manifestações e movimentos em favor da causa. Entre outras atividades, participou do Grupo Nacional de Trabalho que elaborou os artigos que garantem os direitos das pessoas com deficiência nas Constituições Federal, Estadual e na Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro. Integrou ainda o grupo de estudos e redação da Política Nacional de Educação Especial e da Política Nacional de Reabilitação, trabalhos promovidos pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), hoje Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Ethel Rosenfeld - Nessa altura eu estava estudando no Instituto Benjamim Constant, escola especializada para pessoas cegas, já que tudo tinha mudado radicalmente em minha vida. Lá tem uma escadaria para ir às salas de aula. Um dia, quando ia subindo a escada, de repente, me bateu um insight: eu era privilegiada, tinha tudo, pai, mãe, irmãos, uma vida social normal. Fiz um juramento naquele momento: "vou dedicar minha vida a essas pessoas". Eu também era uma cega, mas me considerava diferente por ter tudo, inclusive uma condição social e escolaridade melhores. Aí começou meu desejo de ajudar as pessoas cegas
Miss Brasil Deficiente Visual é da Pátria Gaúcha
Mais uma vez a maioria das notícias na mídia descriminam e não mostram que
não precisa ter olhos para ser bela, pois no sábado, dia 23 de julho,
enquanto as lentes estavam voltadas para a Miss Brasil. Pois no mesmo
dia, outra gaúcha, Giselle Guimarães Hübbe, em Natal, Rio Grande do
Norte, vencia o Primeiro Concurso de Miss Brasil Deficiente Visual. Aos
21 anos, a Giselle recebeu coroa, manto e faixa comprovando, ano após
ano, a beleza de nossas mulheres sulinas já reconhecida mundo afora.
Em entrevista ao jornalista Guilherme Mazui, do jornal Zero Hora,
Giselle, morena, de 50 quilos bem distribuídos em 1m62cm, diz que nasceu
com uma lesão na retina, que a deixou com 7% de visão no olho direito e
cerca de 3% no olho esquerdo.
Bonita, dona de um sorriso largo, a mais bela pessoa com deficiência
visual no país, abre e fecha portas com segurança, pega ônibus para ir
ao trabalho, concluiu o ensino médio, gosta de cavalgar e de música
eletrônica.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
Inclusão escolar do aluno com deficiência visual
Introdução
Atualmente um dos maiores desafios na área educacional é encontrar estratégias metodológicas para resolver questões relacionadas à inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular. Sendo assim, a partir da definição de Educação Especial, como modalidade de educação escolar, conforme especificado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Brasil, 1996), torna-se significativo uma reflexão da atuação do professor enquanto profissional mediador, informador e formador do processo educacional do aluno com necessidades educacionais especiais.
As escolas devem construir uma estrutura interna que possa atender os alunos com necessidades especiais adequadamente, conforme preconizado pela LBD, o modelo de inclusão prioriza que o atendimento às necessidades pedagógicas de todos os alunos se faça no mesmo contexto, com adaptações necessárias e que a aprendizagem desses alunos não dependa unicamente de um programa de ensino adequado, mas também da disponibilidade de recursos pedagógicos e mobiliários adaptados (MELLO; MANZINI, 2003).
Considerando o atual contexto sócio-educacional brasileiro, em que a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais em classes de ensino regular tem sido exigida e legitimada por políticas públicas nacionais e internacionais, a formação dos profissionais da educação e, mais especificamente da Educação Especial, tem sido uma questão importante que permeia os debates sobre inclusão.
Nesse contexto, é evidente e urgente que a prática pedagógica seja colocada como ponto de reflexão por parte dos pais, alunos e, sobretudo, professores, a fim de que o paradigma da inclusão possa ser concretizado. Ainda que a inclusão da criança com necessidades especiais esteja sendo discutida em uma diversidade de contextos (PEREIRA-SILVA; DESSEN, 2007; FONSECA; CUNHA, 2003), a escola pode ser considerada como o melhor local para promover a inclusão social e educacional destas crianças.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), considera alunos com necessidades especiais aqueles que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que em interação com diversas barreiras podem ter restringidas sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade.
O documento destaca que as definições do público alvo devem ser contextualizadas e não se esgotam na mera categorização e especificações atribuídas a um quadro de deficiência, transtornos, distúrbios e aptidões. Considera-se que as pessoas se modificam continuamente transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, enfatizando a importância de ambientes heterogêneos que promovam a aprendizagem de todos os alunos.
É sabido que cada deficiência tem sua especificidade, sendo assim estratégias utilizadas com alunos com deficiência visual são diferentes das utilizadas com outras deficiências. Com isso, estudos devem ser feitos nas diferentes áreas de intervenção junto a alunos com necessidades educacionais especiais e professores no contexto escolar. Especificamente na área de Educação Física, estratégias devem ser discutidas, descobertas, reelaboradas objetivando uma intervenção efetiva na aceitação e participação dos alunos com necessidades educacionais especiais nas aulas de Educação Física.
Entretanto, para que a criança com necessidades educacionais especiais seja verdadeiramente incluída na Educação Física, não basta estar no mesmo espaço físico ou participar de algumas atividades, mas ela deve fazer parte do grupo e participar de todas as atividades desenvolvidas durante a aula, mesmo que necessite de ajuda e apoio do professor e/ou dos colegas. Porém este apoio, não deve fazer do aluno uma pessoa dependente da outra todo tempo, ao contrário, deve gradativamente dar-lhe condições de ser mais independente possível, caso isso não ocorra, este apoio ao invés de contribuir, tende a dificultar o processo de inclusão e de autonomia do aluno com deficiência visual.
Em meio a essas mudanças no contexto educacional, onde o aluno com deficiência visual frequenta a escola regular, o estudo voltasse na tentativa de responder algumas questões: as aulas de Educação Física no ensino regular estão favorecendo ou não a inclusão destes alunos? As intervenções/adaptações utilizadas pelo professor permitem que o aluno alcance os objetivos das aulas? Nos momentos de dificuldade, quem auxilia o aluno?
Considerando essas questões e a crescente importância do tema exposto, este estudo se justifica pela necessidade de observar como a Educação Física vem sendo trabalhada junto ao aluno com deficiência visual na escola regular, na tentativa de identificar se ela esta favorecendo ou não a inclusão desse aluno, bem como, levantar/apresentar possíveis estratégias utilizadas nas aulas pelo professor de Educação Física que tem este aluno incluído.
Com isso, o presente estudo tem como objetivos: identificar como a aula de Educação Física vem sendo desenvolvida no ensino regular para inclusão de alunos com deficiência visual; levantar se as atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física favorecem ou não a inclusão de alunos com deficiência visual e como acontece o auxílio a este aluno.
sábado, 24 de novembro de 2012
Entrevista com a atleta da Seleção Brasileira de Goalball Márcia Santos
Por Tadeu Casqueira
Rio de Janeiro
A alegria e a descontração, mesmo após o puxado treino que acabara de participar sob o comando do técnico da Seleção Brasileira de goalball Paulo Sérgio de Miranda, evidenciam a paixão que a atleta de 31 anos, Márcia Bonfim Vieira dos Santos, de Mauá, São Paulo, tem pelo esporte. Sentada na arquibancada do Ginásio do Instituto Benjamin Constant (IBC), no Rio de Janeiro, a atleta, depois de quase três horas de treinamento deixou o cansaço de lado e permaneceu na quadra para falar à CBDV sobre o amor que sente pelo goalball.
Marcia atualmente joga pela Associação de Pais e Amigos e Deficientes Visuais (APADV), de São Paulo, onde esse ano ajudou a equipe a ser campeã do Regional Sudeste II, e para completar foi artilheira da competição com 18 gols. Sua presença na Seleção é indiscutível e é peça importantíssima no esquema elaborado pelo técnico Paulo. Considerada por ela mesma uma veterana no esporte, Marcia sonha que um dia as pessoas se interessem mais pela modalidade.
- Meu sonho é que um dia as pessoas perguntem pelo goalball da mesma maneira que perguntam pelo futebol. “O que é o goalball?” “Como pratica?” – revelou.
A atleta está concentrada com a Seleção Brasileira ao lado de mais oito meninas, no IBC desde o dia 23/07, onde ficarão até o próximo domingo, 21, quando se encerra a IV fase de treinamento, que serve como parte da preparação para os Jogos Parapanamericanos de Guadalajara, no México. O maior objetivo da Seleção no Parapan é a conquista da vaga para as Paraolimpíadas de 2012, em Londres.
- O mais importante é conseguir a vaga para as Paraolimpíadas de 2012, em Londres. A gente tem que ficar na frente do México, se eles forem prata, nos temos que ser ouro.
E não ficou por aí. Marcia ainda falou do início de sua carreira, como se apaixonou pelo esporte, o que o goalball representa para ela, o desenvolvimento do esporte no Brasil, Seleção Brasileira da modalidade, Paraolimpíadas de 2016, entre outros assuntos.
Confira toda a entrevista da atleta Marcia Bonfim Vieira dos Santos à CBDV.
Como surgiu o seu interesse pelo goalball?
Comecei a praticar o esporte no ano de 2001. Esse interesse surgiu até mesmo para me ajudar na orientação e na mobilidade. Eu não andava sozinha, e esse foi um dos motivos que me fizeram procurar o goalball. É um esporte maravilhoso, serve como uma terapia para mim. Hoje não vivo sem. Eu trabalho e estudo, mas o tempo para praticar tem que ter.
Queria que você me falasse um pouco sobre a sua relação com a Seleção Brasileira de Goalball. Como foi a sua primeira convocação?
Minha primeira convocação para a Seleção foi em 2002, um ano depois que comecei a jogar o goalball. Algo que eu nem pensava que fosse acontecer. Eu não pensava em jogar pela Seleção. Mas não pude me apresentar (para a equipe brasileira) por problemas particulares. Em 2003 também, a mesma coisa. Até que, fui chamada de novo. E acho que não tem preço fazer parte da Seleção. Hoje em dia os atletas ganham por fazer parte, mas quando eu comecei a gente não ganhava nada. Eu participava da Seleção com o mesmo amor, a mesma dedicação.
Tem algum atleta do desporto Paraolímpico que você se inspira? Qual?
Eu me inspirei em dois atletas: Simone Camargo (APADV) e César Gualberto (ADEVIMAR),ambos do goalball.
O que você espera para o futuro do esporte?
Coisas boas. De 2004 para cá houve um crescimento muito grande. A bolsa Paraolímpica, por exemplo, ajuda muito ao atleta. Eu não tenho bolsa Paraolímpica, a minha é nacional, mas ela ajuda. Os aparelhos que uso para treinar são caros, e essa ajuda incentiva o atleta.
Qual o seu maior sonho no esporte?
É que um dia as pessoas perguntem pelo goalball da mesma maneira que perguntam pelo futebol. Quero que as pessoas tenham o interesse pelo esporte. “O que é o goalball?” “Como pratica?”. Eu quero que todos conheçam esse esporte que é maravilhoso. E acredito que as Paraolimpíadas aqui no Brasil (2016) vai ajudar muito.
O que você acha necessário para o goalball ficar conhecido?
Se o nosso esporte for mais divulgado as pessoas vão ter mais interesse. A mídia pode ajudar muito nesse processo.
Qual a sua expectativa para a participação da Seleção Brasileira no Parapan de Guadalajara?
Muito boa. Eu espero que o grupo continue com essa união, chegue lá e consiga a vaga para as Paraolimpíadas 2012, em Londres. Não importa ser medalha de ouro. Nós temos que ficar na frente do México (principal adversário do Brasil na disputa da vaga Paraolímpica). Se eles forem prata, nós temos que ganhar o ouro.
Sobre as Paraolimpíadas de 2016 aqui no Rio de Janeiro. Qual a sua expectativa?
Vai ser muito bom para o Brasil. Só vai trazer crescimento para o paradesporto brasileiro e acho que as pessoas estão começando a ver os esportes para cegos de maneira diferente.
Você pretende disputar as Paraolimpíadas de 2016?
Não sei se ainda vou estar jogando em 2016, já estou com 31 anos. No Canadá as atletas são mais experientes, com 37... 38 anos. Aqui no Brasil a gente procura a renovação. Estamos com três meninas novas na Seleção. Essa renovação é importante para sempre manter a Seleção forte. No fundo me dá uma dorzinha no coração, mas eu sei que elas são o nosso futuro. Eu não vou estar aqui para sempre, o esporte é passageiro na vida da gente. Eu estou tendo o meu tempo, como elas terão o tempo delas, no momento certo.
Pretende continuar no esporte quando parar de jogar profissionalmente?
Eu não vivo sem o esporte. Quero continuar treinando, mesmo que não seja a nível internacional. Gosto muito de academia. Eu arremesso peso, dardo e disco também.
Márcia e as outras atletas da Seleção ainda terão mais duas etapas de treinamento antes dos Jogos Parapanamericanos, e a próxima fase de treinamento está prevista para começar início do mês de setembro, dia 4, no IBC.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Os deficientes visuais no Brasil
Segundo dados obtidos com a Organização Mundial da Saúde, o número de pessoas portadoras de deficiência visual no Brasil seria hoje estimado em aproximadamente 750.000 pessoas. Esse número serve apenas como base, uma vez que não existe estatística oficial sobre deficiência em nosso país.
Uma pessoa cega pode ter algumas limitações, as quais poderão trazer obstáculos ao seu aproveitamento produtivo na sociedade. Grande parte destas limitações podem ser virtualmente eliminadas através de dois elementos:
uma educação adaptada à sua realidade
uso de tecnologia para diminuir as barreiras
Existe um elemento chave que diferencia o cego brasileiro de um cego do primeiro mundo: o acesso à educação e à cultura. Isso é facilmente explicável: existe um custo adicional para a educação do cego. Por exemplo, produzir um livro em Braille é muito mais caro e difícil do que um livro comum, e assim, só são transcritos para Braille aqueles que são básicos. Jornais em Braille, nem pensar !
Felizmente isso está mudando, com a disponibilidade de tecnologia a custo baixo. Dois elementos são chave deste processo: a existência do gravador portátil e o microcomputador.
O gravador, permitindo o registro e a reprodução de textos a custo baixo, foi um grande salto para o acesso à cultura. Hoje existe um grande número de "livros falados", que ampliam o horizonte cultural do cego.
O microcomputador, tecnologia muito nova, amplia até um limite inimaginável as oportunidades do cego. Desta tecnologia falaremos a seguir.
Tecnologia da computação a serviço do cego
Desde a década de 70, foram desenvolvidos diversos equipamentos para serem acoplados aos computadores grandes, visando adaptar uma pessoa cega ao seu uso. Mesmo no Brasil, existem algumas dezenas de cegos que trabalham como analistas de sistemas e programadores, auxiliados por tais equipamentos. Esses equipamentos, entretanto, são relativamente caros, inviabilizando o seu uso amplo pela população.
Para completar o quadro, hoje em dia, o computador é utilizado em virtualmente todos os tipos de trabalho. Além disso, o barateamento do preço dos componentes eletrônicos provocou sua popularização. Hoje, qualquer pessoa de classe média pode adquirir um microcomputador por um preço acessível. Atualmente, estão facilmente disponíveis no computador recursos de áudio e vídeo, numa visão tecnológica conhecida como multimídia.
Para o deficiente visual, a existência desta tecnologia de baixo custo é a chave para sua utilização. Através do uso de recursos sonoros, por exemplo, um cego pode utilizar facilmente o computador, pois a maior parte de sua interação com o mundo é feita através destes meios (audição e fala).
Naturalmente, a utilização do computador deve ser viabilizada através da utilização desses recursos em programas especialmente preparados. Esses programas suprem a deficiência visual através da utilização de recursos sonoros (por exemplo, oferecendo um “feed-back” sonoro das informações mostradas no vídeo). Tais programas podem ser agrupados em duas classes distintas:
Programas de adaptação sonora, que possibilitam ao deficiente utilizar os programas comerciais já existentes no mercado, mesmo que esses não tenham sido preparados para falar;
Programas aplicativos, similares aos que existem no mercado, mas adaptados às necessidades do deficiente.
Existem muitos destes programas disponíveis no mercado, e utilizáveis em microcomputadores. Infelizmente, até este momento, estes programas tinham algumas restrições muito sérias:
a maior restrição: não falavam português.
custo alto: um programa de auxílio pode chegar facilmente ao custo de 1000 dólares ou mais.
utilização de sintetizadores de voz caros: a fala é produzida em sintetizadores cujo preço varia de 1000 a 3000 dólares.
os sistemas falam "computês": os sistemas existentes utilizam todo jargão de computação, e assim, uma pessoa só consegue dominar a ferramenta computacional após um treinamento especializado e muitas vezes demorado.
O sistema DOSVOX veio para mudar este panorama.
O sistema DOSVOX
O Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ, situado no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, criou o sistema DOSVOX, destinado a auxiliar os deficientes visuais a usar o computador, executando tarefas como edição de textos (com impressão comum ou Braille) leitura/audição de textos anteriormente transcritos, utilização de ferramentas de produtividade faladas (calculadora, agenda, etc), além de diversos jogos. O sistema fala através de um sintetizador de som de baixo custo, que é acoplado a um microcomputador tipo IBM-PC.
O sistema DOSVOX evoluiu a partir do trabalho de Marcelo Pimentel Pinheiro, estudante de informática cego, e que desenvolveu o editor de textos do sistema. Marcelo é hoje programador do NCE, onde trabalha sob orientação acadêmica do prof. José Antonio Borges, responsável pela coordenação do projeto DOSVOX.
São diversas as chaves que provocaram um sucesso extraordinário deste projeto, que hoje é utilizado por mais de 500 cegos de todo Brasil:
custo muito baixo - o sistema foi industrializado e hoje é vendido por menos de 100 dólares;
a tecnologia de produção é muito simples, e viável para as indústrias nacionais;
o sistema fala e lê em português;
o diálogo homem-máquina é feito de forma simples, removendo-se ao máximo os jargões do "computês";
o sistema obedece às restrições e características da maioria das pessoas cegas leigas;
o sistema utiliza padrões internacionais de computação, e assim, o DOSVOX pode ser lido e pode ler dados e textos gerados por programas e sistemas de uso comum em informática.
O projeto tem um grande impacto social pelo benefício que ele traz aos deficientes visuais, abrindo novas perspectivas de trabalho e de comunicação. O projeto é resultado do esforço de muitas pessoas, entre as quais se destacam o Eng. Diogo Fujio Takano, projetista do sintetizador de custo baixo e o analista Orlando José Rodrigues Alves (in memorium) desenvolvedor de grande parte do sistema, e Luiz Cândido Pereira Castro (in memorium), também cego, que foi o responsável pela distribuição do DOSVOX para o Brasil
A tecnologia, portanto, existe no Brasil. A idéia, portanto, é torná-la disponível para a comunidade. O próximo bloco fala de como esta tecnologia pode ser aplicada aos diversos problemas
Assinar:
Postagens (Atom)