sexta-feira, 19 de abril de 2013

História dos Cães-guia

O primeiro relacionamento especial entre um cão e uma pessoa cega é perdido nas névoas do tempo, mas talvez, o exemplo mais novo é descrito em um anúncio de mural no primeiro-século, nas ruínas enterradas de Roman Herculaneum. Também desde a Idade Média, uma chapa de madeira sobrevive mostrando um cão que conduz um homem cego com uma coleira. Entretanto, a primeira tentativa sistemática de treinar cães para ajudar a povos cegos veio ao redor de 1780 no hospital para cegos “Les Quinze-Vingts”, em Paris. Pouco depois, em 1788, Josef Riesinger, um fabricante cego de Viena, treinou um spitz tão bem que as pessoas freqüentemente duvidavam de que ele era cego. Então, em 1819, Johann Wilhelm Klein, fundador de um instituto de educação para pessoas cegas (Blinden-Erziehungs-Institut) em Viena, mencionou o conceito do cão guia em seu livro para educar pessoas cegas (der Blinden de Unterricht do zum de Lehrbuch). Infelizmente, não existe nenhum registro de suas idéias, e nem mesmo de que tenham sido realizadas. Não obstante, um homem suíço, Jakob Birrer, escreveu em 1847 sobre suas experiências de ser guiado sobre um período de cinco anos por um cão que ele mesmo tinha especialmente treinado. A história moderna do cão-guia, entretanto, começa durante a primeira guerra mundial, quando milhares de soldados estavam retornando cegos, devido a gases venenosos. Um doutor alemão, Dr. Gerhard Stalling, teve a idéia de treinar cães em massa para ajudar àqueles afetados. Um dia, quando andava com um paciente pelo hospital, ele foi chamado urgentemente, deixando o seu cão na companhia do paciente. Quando retornou, ele teve a impressão distinta da maneira que o cão se comportava e como olhava o paciente cego. O Dr. Stalling começou explorar as maneiras de treinar cães para transformar estes em guias de confiança. Em agosto de 1916, foi aberta a primeira escola de cães-guia do mundo para cegos em Oldenburg. A escola cresceu e novas filiais foram abertas em Bona, Breslau, Dresden, Essen, Freiburg, Hamburgo, Magdeburg, Münster e Hannover, resultando em até 600 cães treinados por ano. De acordo com alguns clientes, estas escolas forneceram cães não somente aos ex-militares, mas também às pessoas cegas da Grã Bretanha, França, Espanha, Itália, Estados Unidos, Canadá e União Soviética. Tristemente, o empreendimento teve que fechar em 1926, mas por esse tempo um outro grande centro de treinamento de cães-guia tinha sido aberto em Potsdam, perto de Berlim, e estava provando ser altamente bem sucedido. Seu trabalho quebrou o novo campo de treinamento de cães-guia, era capaz de acomodar mais ou menos 100 cães de cada vez, e fornecia até 12 treinamentos completos a cães-guia por mês. Em seus primeiros 18 anos, a escola treinou mais de 2.500 cães, com uma taxa da rejeição de apenas 6%. Em torno deste tempo, uma milionária americana, Dorothy Harrison Eustis, já treinava cães para o exército, polícias e serviço aos consumidores na Suíça. Era a energia e a perícia de Dorothy Eustis que estava lançando o Movimento Internacional do Cão-Guia. Quando ouviu sobre o centro de Potsdam, Eustis estava curiosa para estudar seus métodos, e gastava diversos meses lá. Ela voltou tão impressionada que escreveu um artigo sobre o assunto para o The Saturday Evening Post na América, em Outubro 1927. Um americano cego chamado Frank Morris ouviu sobre o artigo e comprou uma cópia da revista. Ele disse mais tarde, que pelos cinco centavos pagos, "comprei um artigo que valeu mais do que um milhão dólares para mim. Isto mudou minha vida". Ele escreveu para Eustis, dizendo lhe que gostaria muito de ajudá-la a introduzir cães-guia nos Estados unidos. Aceitando o desafio, Dorothy Eustis treinou um cão, Buddy, e trouxe Frank para Suíça para aprender como trabalhar com ele. Frank voltou para os Estados Unidos acreditando ser o primeiro cão-guia da América. O sucesso desta experiência incentivou Eustis a abrir suas próprias escolas de cão-guia em Vevey na Suíça em 1928 e pouco depois nos Estados Unidos. Chamou-os "L’Oeil qui Voit", ou "The Seeing Eye" (o nome vem do Velho Testamento da Bíblia- "O ouvido que ouve, e o olho que vê", Provérbios, XX, 12), e esta foi a primeira escola de cães-guia da modernidade”. Em 1930, duas mulheres Britânicas, Muriel Crooke e Rosamund Bond, ouviram sobre "The Seeing Eye" e entraram em contato com Dorothy Eustis, que as enviou um de seus instrutores. Em 1931, os primeiros quatro cães-guia britânicos terminaram seu treinamento e três anos mais tarde a associação de cães-guia para cegos foi fundada: The Guide Dogs for the Blind Association. Desde então, estão sendo abertas escolas de cães-guia em toda parte do mundo, e mais escolas abrem suas portas a cada década. Milhares de pessoas tiveram suas vidas transformadas pelos cães-guia e pelas organizações que os fornecem. O compromisso das pessoas que trabalham para estas organizações é hoje tão profundo quanto era antigamente, e os herdeiros da herança de Dorothy Eustis continuam a trabalhar para aumentar a mobilidade, a dignidade e a independência de pessoas cegas no mundo. O movimento continua. Edward, um cão da raça labrador de oito anos, passou de cão-guia a "cliente" de um de seus colegas. O animal, que vive na Inglaterra, perdeu a visão dos dois olhos após passar por uma cirurgia de catarata. Agora, ele precisa da ajuda de Opala - uma cadela da mesma raça treinada para acompanhar cegos - para passear por aí. De acordo com o jornal The Sun, na época em que soube sobre a cegueira do pet, Waspe Graham ficou completamente arrasado. Afinal, como faria sem a ajuda do seu fiel companheiro? Felizmente, logo surgiu uma solução surpreendente: Opala, que se tornou guia não somente de Graham (também deficiente visual), mas também de seu amigo canino, Edward. Em entrevista para o tabloide inglês, Sandra Graham, mulher de Waspe, afirmou que o convívio entre os dois cachorros é muito amistoso. Mas o maior vencedor nessa história é o casal, que ganhou amizade e companheirismo em dose dupla.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Testemunho de uma mulher cega guerreira que luta em favor das pessoas com deficiência uma guerreira

Uma guerreira... Ethel Rosenfeld Assim pode ser definida essa que é uma das mais conhecidas e respeitadas figuras do movimento da pessoa com deficiência em nosso País. Com 13 anos de idade, ela teve um diagnóstico de tumor cerebral, mas na hora da operação, os médicos perceberam que não era maciço e optaram por fazer uma punção. O procedimento tocou o nervo ótico e a deixou cega. Além de ter ficado com sério comprometimento motor. Os movimentos ela recuperou com o tempo, mas não a visão, o que a fez dedicar toda sua vida à luta em favor das pessoas com deficiência. "Aos 17 anos quando percebi que apesar de ter ficado cega, eu era uma pessoa privilegiada que continuava tendo tudo que precisava, principalmente o convívio com minha família e amigos, prometi a mim mesma que dedicaria minha vida à causa das pessoas cegas. Especializei-me em educação de pessoas com deficiência visual e Cheguei à universidade, onde cursei Português - Inglês. Concluído o curso universitário, em 1973 alcancei mais uma vitória: fui a primeira professora cega a ingressar no magistério público do antigo Estado da Guanabara. Trabalhei junto à Secretaria Municipal de Educação, Instituto Helena Antipoff, por 15 anos. Em 1987 pedi transferência para a Secretaria Municipal de Saúde, Instituto Municipal de Medicina Física e Reabilitação Motora Oscar Clark, onde trabalhei 12 anos. Por fim, fui convidada para trabalhar na Fundação Municipal Francisco de Paula, FUNLAR-Rio hoje, Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. Na fundação não mais trabalhei com pessoas com deficiência, mudei meu foco e comecei a trabalhar com todas as pessoas, objetivando um melhor relacionamento entre pessoas com e sem deficiência". Hoje, aos 66 anos, Ethel está aposentada, mas continua muito ativa. Agora mesmo trabalha na organização do XV Encontro Brasileiro de Usuários de Dosvox (sistema que permite o uso de um microcomputador comum por pessoas cegas, possibilitando o desempenho de uma série de tarefas), que será realizado em 07 e 08 de setembro próximo, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu e mora até hoje. Além disso, desenvolve o projeto de sensibilização "Buscando um Mundo Melhor para Todos", de conscientização da sociedade, em que faz palestras para diferentes públicos. Considerada uma das principais educadoras na área da deficiência visual, foi a primeira professora cega a ingressar no magistério público do antigo Estado da Guanabara. Trabalhou junto à Secretaria Municipal de Educação, Instituto Helena Antipoff, por 15 anos. Em 1987, foi para a Secretaria Municipal de Saúde, Instituto Municipal de Medicina Física e Reabilitação Motora Oscar Clark, onde ficou por 12 anos. Depois foi convidada para trabalhar na Fundação Municipal Francisco de Paula, FUNLAR-Rio, hoje, Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. Ethel sempre esteve presente em manifestações e movimentos em favor da causa. Entre outras atividades, participou do Grupo Nacional de Trabalho que elaborou os artigos que garantem os direitos das pessoas com deficiência nas Constituições Federal, Estadual e na Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro. Integrou ainda o grupo de estudos e redação da Política Nacional de Educação Especial e da Política Nacional de Reabilitação, trabalhos promovidos pela Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), hoje Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Ethel Rosenfeld - Nessa altura eu estava estudando no Instituto Benjamim Constant, escola especializada para pessoas cegas, já que tudo tinha mudado radicalmente em minha vida. Lá tem uma escadaria para ir às salas de aula. Um dia, quando ia subindo a escada, de repente, me bateu um insight: eu era privilegiada, tinha tudo, pai, mãe, irmãos, uma vida social normal. Fiz um juramento naquele momento: "vou dedicar minha vida a essas pessoas". Eu também era uma cega, mas me considerava diferente por ter tudo, inclusive uma condição social e escolaridade melhores. Aí começou meu desejo de ajudar as pessoas cegas

Miss Brasil Deficiente Visual é da Pátria Gaúcha

Mais uma vez a maioria das notícias na mídia descriminam e não mostram que não precisa ter olhos para ser bela, pois no sábado, dia 23 de julho, enquanto as lentes estavam voltadas para a Miss Brasil. Pois no mesmo dia, outra gaúcha, Giselle Guimarães Hübbe, em Natal, Rio Grande do Norte, vencia o Primeiro Concurso de Miss Brasil Deficiente Visual. Aos 21 anos, a Giselle recebeu coroa, manto e faixa comprovando, ano após ano, a beleza de nossas mulheres sulinas já reconhecida mundo afora. Em entrevista ao jornalista Guilherme Mazui, do jornal Zero Hora, Giselle, morena, de 50 quilos bem distribuídos em 1m62cm, diz que nasceu com uma lesão na retina, que a deixou com 7% de visão no olho direito e cerca de 3% no olho esquerdo. Bonita, dona de um sorriso largo, a mais bela pessoa com deficiência visual no país, abre e fecha portas com segurança, pega ônibus para ir ao trabalho, concluiu o ensino médio, gosta de cavalgar e de música eletrônica.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Inclusão escolar do aluno com deficiência visual

Introdução Atualmente um dos maiores desafios na área educacional é encontrar estratégias metodológicas para resolver questões relacionadas à inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular. Sendo assim, a partir da definição de Educação Especial, como modalidade de educação escolar, conforme especificado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (Brasil, 1996), torna-se significativo uma reflexão da atuação do professor enquanto profissional mediador, informador e formador do processo educacional do aluno com necessidades educacionais especiais. As escolas devem construir uma estrutura interna que possa atender os alunos com necessidades especiais adequadamente, conforme preconizado pela LBD, o modelo de inclusão prioriza que o atendimento às necessidades pedagógicas de todos os alunos se faça no mesmo contexto, com adaptações necessárias e que a aprendizagem desses alunos não dependa unicamente de um programa de ensino adequado, mas também da disponibilidade de recursos pedagógicos e mobiliários adaptados (MELLO; MANZINI, 2003). Considerando o atual contexto sócio-educacional brasileiro, em que a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais em classes de ensino regular tem sido exigida e legitimada por políticas públicas nacionais e internacionais, a formação dos profissionais da educação e, mais especificamente da Educação Especial, tem sido uma questão importante que permeia os debates sobre inclusão. Nesse contexto, é evidente e urgente que a prática pedagógica seja colocada como ponto de reflexão por parte dos pais, alunos e, sobretudo, professores, a fim de que o paradigma da inclusão possa ser concretizado. Ainda que a inclusão da criança com necessidades especiais esteja sendo discutida em uma diversidade de contextos (PEREIRA-SILVA; DESSEN, 2007; FONSECA; CUNHA, 2003), a escola pode ser considerada como o melhor local para promover a inclusão social e educacional destas crianças. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), considera alunos com necessidades especiais aqueles que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que em interação com diversas barreiras podem ter restringidas sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade. O documento destaca que as definições do público alvo devem ser contextualizadas e não se esgotam na mera categorização e especificações atribuídas a um quadro de deficiência, transtornos, distúrbios e aptidões. Considera-se que as pessoas se modificam continuamente transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, enfatizando a importância de ambientes heterogêneos que promovam a aprendizagem de todos os alunos. É sabido que cada deficiência tem sua especificidade, sendo assim estratégias utilizadas com alunos com deficiência visual são diferentes das utilizadas com outras deficiências. Com isso, estudos devem ser feitos nas diferentes áreas de intervenção junto a alunos com necessidades educacionais especiais e professores no contexto escolar. Especificamente na área de Educação Física, estratégias devem ser discutidas, descobertas, reelaboradas objetivando uma intervenção efetiva na aceitação e participação dos alunos com necessidades educacionais especiais nas aulas de Educação Física. Entretanto, para que a criança com necessidades educacionais especiais seja verdadeiramente incluída na Educação Física, não basta estar no mesmo espaço físico ou participar de algumas atividades, mas ela deve fazer parte do grupo e participar de todas as atividades desenvolvidas durante a aula, mesmo que necessite de ajuda e apoio do professor e/ou dos colegas. Porém este apoio, não deve fazer do aluno uma pessoa dependente da outra todo tempo, ao contrário, deve gradativamente dar-lhe condições de ser mais independente possível, caso isso não ocorra, este apoio ao invés de contribuir, tende a dificultar o processo de inclusão e de autonomia do aluno com deficiência visual. Em meio a essas mudanças no contexto educacional, onde o aluno com deficiência visual frequenta a escola regular, o estudo voltasse na tentativa de responder algumas questões: as aulas de Educação Física no ensino regular estão favorecendo ou não a inclusão destes alunos? As intervenções/adaptações utilizadas pelo professor permitem que o aluno alcance os objetivos das aulas? Nos momentos de dificuldade, quem auxilia o aluno? Considerando essas questões e a crescente importância do tema exposto, este estudo se justifica pela necessidade de observar como a Educação Física vem sendo trabalhada junto ao aluno com deficiência visual na escola regular, na tentativa de identificar se ela esta favorecendo ou não a inclusão desse aluno, bem como, levantar/apresentar possíveis estratégias utilizadas nas aulas pelo professor de Educação Física que tem este aluno incluído. Com isso, o presente estudo tem como objetivos: identificar como a aula de Educação Física vem sendo desenvolvida no ensino regular para inclusão de alunos com deficiência visual; levantar se as atividades desenvolvidas nas aulas de Educação Física favorecem ou não a inclusão de alunos com deficiência visual e como acontece o auxílio a este aluno.